Matera, na Itália, é a capital da cultura em 2019

19/02/2019 Life Style

Matera, localizada na região de Basilicata, no sul da Itália, foi eleita a Capital Europeia da Cultura em 2019, com a realização de festivais e exposições durante todo o ano

A região da Basilicata remonta há cerca de 9 mil anos e sua história reflete dificuldades. Conquistada por bizantinos, ostrogodos, árabes, gregos e espanhóis, a região tem uma população em declínio de cerca de 600 mil pessoas, e o desemprego é maior do que no resto da Itália. Em 1932, Basilicata foi renomeada Lucânia pelos fascistas, nome que perdurou até 1948. Em 1945, o doutor Carlo Levi publicou suas memórias do exílio na cidade na obra “Cristo Parou em Eboli” (o livro não está disponível em português), que descreve a extrema pobreza, fome e doenças que assolaram a região.

Sassi (“as pedras”), esculpidas no calcário, serviram como moradias na cidade de Matera até a década de 1950, até que as autoridades declararam que as condições de vida ali eram inaceitáveis, tornando uma prática ilegal. Grande parte de La Città Sotterranea – a cidade subterrânea – não tinha água corrente, nem eletricidade.

Mas desde a década de 1980, quando o governo italiano investiu na reabilitação do sassi, os ambientes rústicos se transformaram em atração turística. Aqueles que habitavam as cavernas anteriormente começaram a voltar e a renovar os locais – muitos deles haviam sido deixados em ruínas. A partir daí, restaurantes, bares, hotéis e até mesmo um local exclusivo para o turismo começaram a surgir.

As 150 igrejas esculpidas em rocha datam dos séculos 14 a 16 e foram pintadas por monges. A Catedral de Matera, de 1270, conta com uma alta torre sineira e um afresco de estilo bizantino do século 14. San Pietro Caveoso e a San Pietro Barisano são outras notáveis igrejas em cavernas, ambas dedicadas ao Apóstolo Pedro.

Matera tem ganhado destaque em muitos filmes como uma substituta de Jerusalém – entre eles estão “A Paixão de Cristo” e “O Evangelho Segundo São Mateus”. A cidade é também o lar ficcional da Mulher Maravilha, Themyscira, no filme mais recente. Em 1993, a UNESCO fez de Matera um de seus patrimônios mundiais.

Os hotéis ajudaram a preservar estruturas antigas. A maioria parece albergues difusos, com muitas estruturas, que acabaram se tornando uma maneira popular de restaurar cidades antigas empobrecidas, mas atraentes, por toda a Itália. As antigas cavernas onde as pessoas viviam nos séculos passados foram reaproveitadas e transformadas em propriedades únicas e luxuosas para turistas sofisticados.

O Sextantio Le Grotte della Civita é um exemplo de hotel transformado. Ele está na parte mais antiga dos bairros de Sassi, de frente para o Parco Nazionale Alta Murgia, com cavernas paleolíticas. O hotel conta com 18 quartos e uma igreja antiga, mas com piso aquecido, banheiras Philippe Starck e wi-fi disponível.

O Sant’Angelo Resort, hotel cinco estrelas, mantém a essência das habitações nas cavernas, com excelentes vistas e fácil acesso à beleza natural local.

Opções gastronômicas

Na região é possível encontrar as primeiras receitas de massas da história – e a gastronomia em Matera reflete isso muito bem. Os pratos incluem orecchiete con cima di rapa (um tipo de macarrão com brócolis de rabe); tapparelle; e lucane chiappute – pasta típica da região. O strascinati, por exemplo, pode ser comido com pão, salsa, molho de tomate e azeite, e é servido em uma cúpula com pimentas secas salteadas.

As carnes curadas, pimentas secas e queijos são deliciosos. O Caciocavallo Podolica Della Basilicata, queijo típico da região, é feito de leite de vacas que pastam nas montanhas dos Apeninos. Alcachofras fritas, saladas de pão com legumes e queijo local, pizza de massa fina, com mozzarella defumada e espinafre, crostini com chicória e purê de fava, almôndegas empanadas e folhas salgadas de sálvia também são boas opções da região.

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